Julho das Pretas: Conheça territórios marcados pelo legado de mulheres negras

Jaqueline Santos • July 22, 2026

Todo mês de julho, o Brasil celebra o legado de Tereza de Benguela, uma das maiores lideranças negras da história do país. O dia 25 de julho também marca o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e inspira o Julho das Pretas, mobilização que chega à 14ª edição com 675 atividades em 23 estados, no Distrito Federal e em outros três países. 

Uma data que nasceu da articulação de mulheres negras

O 25 de julho foi criado em 1992, durante o 1º Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas, realizado na República Dominicana. Mulheres de diferentes países se reuniram para construir uma agenda comum de enfrentamento ao racismo e ao machismo, fortalecendo a articulação do movimento em toda a região.



No Brasil, a data passou a fazer parte do calendário oficial em 2014, com a Lei 12.987, que instituiu o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra.

Tereza de Benguela e a história do Quilombo do Quariterê

No século XVIII, no Vale do Guaporé, atual Mato Grosso, Tereza de Benguela assumiu a liderança do Quilombo do Quariterê após a morte de José Piolho. Durante cerca de vinte anos, conduziu uma comunidade formada por pessoas negras e indígenas.



Os registros da época mostram que o quilombo contava com uma casa de conselho, onde as decisões eram tomadas coletivamente. Sob sua liderança, a produção agrícola foi organizada, a defesa do território ganhou estrutura e o Quariterê manteve sua autonomia por décadas.

Lugares onde essas histórias continuam vivas

Em diferentes regiões do Brasil, o legado de mulheres negras segue presente em ruas, comunidades, centros culturais e espaços de memória.


Em Salvador, Maria Felipa liderou, ao lado de outras mulheres, a resistência contra as tropas portuguesas durante a Independência da Bahia. Em Florianópolis, Antonieta de Barros entrou para a história como a primeira mulher negra eleita no Brasil e fez da educação sua principal causa. Em São Luís, Maria Firmina dos Reis publicou Úrsula, considerado o primeiro romance escrito por uma mulher negra no país.


No Rio de Janeiro, a Pequena África reúne referências fundamentais da cultura afro-brasileira. Foi ali que Tia Ciata abriu espaço para sambistas e praticantes de religiões de matriz africana. Também ali está a trajetória de Mercedes Baptista, primeira bailarina negra do Theatro Municipal, e a Casa da Escrevivência, dedicada à obra de Conceição Evaristo.


Em São Paulo, Carolina Maria de Jesus transformou sua experiência em uma das obras mais importantes da literatura brasileira. Sua trajetória segue presente em lugares que ajudam a compreender sua vida, sua escrita e a cidade que inspirou seus livros. No Pantanal, Tia Eva formou uma comunidade em Campo Grande a partir da fé, do acolhimento e da organização coletiva no período pós-abolição.


Essas histórias podem ser vividas em experiências conduzidas por quem mantém essa memória presente no cotidiano. Quilombos, terreiros, museus e comunidades recebem visitantes interessados em conhecer outras perspectivas sobre a história do Brasil.

Uma experiência que amplia o olhar dentro das empresas

Levar essas experiências para empresas cria oportunidades para discutir raça e gênero a partir dos lugares onde essa história aconteceu. Em vez de abordar o tema apenas em apresentações ou treinamentos, os participantes entram em contato com pessoas, territórios e narrativas que ajudam a compreender como o país foi formado.



Segundo a Deloitte, empresas com maior diversidade têm 20% mais chances de alcançar resultados inovadores. Já a Pesquisa Ethos/Época Diversidade 2024/2025 mostra que iniciativas voltadas à diversidade contribuem para melhorar o ambiente de trabalho e fortalecer a atração e a permanência de talentos.


Os roteiros da Diaspora.Black conectam organizações a esses territórios e às pessoas que preservam esse patrimônio. Uma forma de transformar encontros, eventos e visitas institucionais em experiências que permanecem muito depois do fim do percurso.


Explore os roteiros de Mulheres Negras na Diaspora.Black e descubra como levar essas histórias para a agenda da sua organização.

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