Afroturismo em ação: trajetórias dos guias negros que resgatam nossa história
Carol Oliver • July 22, 2025
Roteiros de resistência: os caminhos traçados por guias negros no afroturismo
Por muito tempo, o turismo no Brasil ignorou as histórias, vozes e territórios negros. Mas hoje, cada vez mais, guias turísticos negros estão assumindo o protagonismo na condução de experiências que valorizam a ancestralidade, resgatam memórias e transformam o ato de viajar em um mergulho identitário e político.
Esses profissionais não apenas apresentam paisagens e monumentos. Eles recontam a história a partir de outra perspectiva. Uma perspectiva que revela o que foi apagado, silenciado ou distorcido, e que honra os passos de quem resistiu e construiu as bases culturais do país.
Na Diaspora.Black, temos orgulho de caminhar ao lado de guias que atuam em quilombos, centros históricos e territórios de resistência em todo o Brasil. São mulheres e homens negros que fazem do afroturismo uma ferramenta de empoderamento, educação e valorização da cultura afro-brasileira.
A seguir, conheça a trajetória da Damiana Silva, da Florencios Tours & Travel, e descubra como sua experiência está ajudando a reescrever o turismo no país.

DIASPORA.BLACK: Como começou sua trajetória como guia turístico? O que te motivou a atuar com roteiros voltados à história e cultura negra?
DAMIANA SILVA | FLORENCIOS TOURS & TRAVEL:
Minha trajetória como guia turística começou em 1994, há mais de 30 anos, em um cenário onde a representatividade negra no turismo era praticamente inexistente. Trabalhei por muito tempo para grandes operadoras no Rio de Janeiro, conduzindo grupos nacionais e internacionais pelos roteiros tradicionais da cidade.
Mas, com o passar dos anos, senti um chamado mais profundo — algo que ia além de apresentar paisagens: o desejo de contar a nossa própria história com verdade, dignidade e profundidade.
O que me motivou a criar roteiros voltados à história e cultura negra foi perceber o silenciamento
das vozes negras nos circuitos turísticos convencionais. Além disso, algo sempre me incomodou profundamente: a forma como o Rio de Janeiro era preterido por Salvador quando se tratava de afroturismo — na época ainda denominado “turismo étnico.”
Grupos afro-americanos que eu recepcionava passavam pouquíssimas noites no Rio, enquanto permaneciam o dobro ou o triplo do tempo em Salvador. Isso me entristecia — sentia que o Rio decepcionava nesse aspecto, não por falta de história, mas por falta de reconhecimento e visibilidade.
Foi então que decidi criar experiências onde nossas memórias fossem valorizadas, onde o povo negro pudesse se ver, se reconhecer e se entender como parte de uma história atlântica afro-diaspórica que também pulsa forte no Rio de Janeiro.
DIASPORA.BLACK:
Quais territórios ou experiências você conduz atualmente?
DAMIANA SILVA | FLORENCIOS TOURS & TRAVEL:
Hoje, conduzo experiências diversas pelo Rio de Janeiro, sempre a partir de uma perspectiva
afrocentrada, que ressignifica a cidade e convida os visitantes a enxergarem o Rio para além dos cartões-postais. Nosso diferencial está justamente nisso: apresentar o Rio de Janeiro sob uma visão afroreferenciada, verdadeira e comprometida com a memória da diáspora africana.
Nosso principal produto é o Rio Little Africa Tour, um walking tour com cerca de 4 horas de duração pela região portuária, historicamente conhecida como Pequena África
desde o século XX. Esse roteiro é um dos mais bem avaliados nas plataformas internacionais como TripAdvisor
e Viator, com o selo de excelência concedido pelos próprios viajantes.
Durante o tour, visitamos entorno de sete marcos fundamentais para a história e o legado africano no Brasil entre eles: O Cais do Valongo (Patrimônio Mundial pela UNESCO), O Instituto Pretos Novos (IPN), A Pedra do Sal, O MUHCAB (Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira), As Docas
Pedro II, e Monunmento a Mercedes Batista (Largo da Prainha).
Cada uma dessas paradas guarda memórias vivas de dor, resistência, fé, resiliência, sobrevivência e celebração. São territórios que revelam o que a história oficial tentou apagar, mas que a oralidade, a presença negra e o afroturismo vêm restaurando com dignidade e potência.
Na Florencios, acreditamos profundamente que o afroturismo é uma ferramenta poderosa para a valorização da cultura negra, a promoção do respeito e a reconstrução da autoestima coletiva. ais do que roteiros turísticos, oferecemos encontros com a ancestralidade, com a história, com a
verdade — e com o povo, o verdadeiro coração do Rio de Janeiro.
DIASPORA.BLACK:
O que significa para você ser uma guia negra em territórios de resistência e ancestralidade? Como você se sente ao compartilhar essas histórias com os visitantes?
DAMIANA SILVA | FLORENCIOS TOURS & TRAVEL: É um ato de afirmação, de cura e de responsabilidade ancestral. Ser uma guia negra nesses
territórios vai muito além de um trabalho — é um chamado. É um compromisso com aqueles que vieram antes de mim e não puderam contar suas próprias histórias, mas cujas vozes ainda ecoam em cada esquina da Pequena África.
Ao compartilhar essas memórias, sinto que estou reconstruindo pontes entre o passado e o presente, oferecendo não só informação, mas acolhimento e pertencimento. Para muitos visitantes — especialmente os negros — é uma chance de se reconhecerem, se reconectarem e se
orgulharem da sua herança diaspórica.
É emocionante ver nos olhos deles aquele brilho que diz: “essa história também é minha”. E, nesse momento, eu sei: não estamos apenas guiando turistas — estamos guiando almas de volta para casa.
DIASPORA.BLACK:
Você se lembra de alguma experiência marcante com um grupo ou visitante durante os roteiros? Algum momento que te emocionou ou te fez perceber o impacto do seu trabalho?
DAMIANA SILVA | FLORENCIOS TOURS & TRAVEL:
Há muitos momentos que me marcam profundamente. Alguns visitantes se emocionam ao tocar o solo do Cais do Valongo e dizem, com lágrimas nos olhos, que ali sentiram, pela primeira vez, que haviam reencontrado seus ancestrais. Outros formam um círculo espontâneo ao redor da cova rasa com ossos calcificados no IPN e, de mãos dadas, fazem uma oração carregada de emoção, respeito e silêncio reverente.
Mas há um momento, em especial, que sempre me emociona — toda vez. É quando leio, traduzindo para o inglês, em voz alta, o trecho da escritora Carolina Maria de Jesus, gravado no alto da parede do setor arqueológico do IPN. Ali, ela descreve o 13 de maio de 1958. Um dia que, teoricamente, deveria celebrar a abolição da escravidão. No entanto, Carolina, quase 70 anos após esse marco, relata que só tinha feijão e sal para dar aos filhos. Que ela — e toda a população afrodescendente — vivia uma nova escravidão: “a escravidão chamada fome.”
Nesse instante, o silêncio entre o grupo é absoluto. As palavras de Carolina ecoam como um grito abafado da história. É impossível não lembrar de Elza Soares, e de toda uma geração de brasileiros negros renegados à miséria, à invisibilidade, à chamada "Democracia Racial" — que, na prática,
nunca existiu.
É nesse momento que tudo faz sentido. Ali, percebo com ainda mais força que o que oferecemos não é apenas um tour — é uma jornada de reconexão, de memória e de reflexão histórica. É dar voz às verdades que por tanto tempo foram silenciadas. E é por isso que sigo fazendo o que faço, com alma e propósito.
DIASPORA.BLACK:
Quais são os principais desafios de conduzir roteiros afrocentrados? E quais são as maiores conquistas e alegrias que esse trabalho te proporciona?
DAMIANA SILVA | FLORENCIOS TOURS & TRAVEL:
Os desafios são muitos — e profundos. Ainda enfrentamos a desvalorização institucional e a
ausência de políticas públicas consistentes que reconheçam o afroturismo como uma ferramenta potente de educação, geração de renda e transformação social. É verdade que passos importantes estão sendo dados, com iniciativas da Embratur, SEBRAE e outras instituições, mas ainda estamos apenas no começo de um caminho que precisa ser fortalecido.
Também lidamos diariamente com olhares enviesados e comentários que tentam deslegitimar nosso trabalho, como se falar sobre ancestralidade, dor, resistência e negritude fosse “vitimismo” ou “mimimi”. Mas seguimos firmes — porque sabemos que nossa narrativa é necessária e verdadeira.
E é justamente por isso que as conquistas ganham um brilho ainda maior. Ver jovens negros se reconhecendo nos territórios que apresentamos, ver turistas — brasileiros e estrangeiros — emocionados e impactados pelas histórias que contamos com verdade e respeito, sentir que
estamos reconstruindo uma memória coletiva com dignidade... isso é o que me move.
É nesses momentos que percebo: estamos não apenas contando uma história — estamos fazendo história.
DIASPORA.BLACK:
Na sua visão, como o afroturismo contribui para o empoderamento da população negra e a preservação cultural?
DAMIANA SILVA | FLORENCIOS TOURS & TRAVEL:
O afroturismo é um instrumento potente de empoderamento, reconstrução identitária e educação social. Ele permite que pessoas negras — historicamente invisibilizadas, sem heróis, referências ou pertencimento — se reconheçam como parte de uma narrativa rica, resiliente e profundamente criativa.
Mais do que turismo, é um ato político, social e afetivo. É também didático: um verdadeiro letramento racial. Cada roteiro é uma aula viva de história e humanidade. E o mais bonito é que ninguém sai indiferente
— seja o visitante branco ou negro, todos são convidados a refletir sobre
o Brasil que fomos, o que ainda somos e o que podemos ser.
O afroturismo também fortalece uma rede inteira de profissionais: empreendedores, artistas, guias e agentes que conduzem experiências com alma, responsabilidade e verdade. É geração de renda, sim — mas também é geração de autoestima coletiva.
É valorização de um patrimônio antes apagado, agora preservado pela oralidade, pela vivência epela emoção. O afroturismo nos devolve o direito de existir com orgulho, memória e consciência.
DIASPORA.BLACK:
O que você gostaria que mais pessoas soubessem sobre os territórios que você apresenta? Existe alguma mensagem que sempre faz questão de passar nos seus roteiros?
DAMIANA SILVA | FLORENCIOS TOURS & TRAVEL:
Gostaria que as pessoas compreendessem que os territórios que apresentamos não são apenas
“lugares históricos” congelados no tempo, tampouco cenários turísticos a serem explorados por oportunismo. Não se trata de surfar na “moda do afroturismo” com roteiros vazios de propósito, criados sem compromisso histórico, cultural ou emocional.
São espaços vivos, pulsantes, atravessados por memórias e por comunidades negras que resistem todos os dias. É preciso respeitar essa potência e entender que cada pedra, cada rua, cada símbolo carrega séculos de dor, luta, criatividade e reinvenção.
Sempre faço questão de lembrar que conhecer a história negra do Brasil é essencial para compreender o país em sua totalidade
— até porque sem o sangue, o suor, a cultura e a espiritualidade dos povos africanos e afrodescendentes, simplesmente não existiria o Brasil.
Minha mensagem é clara e constante:
Nossa história importa. Nossa cultura é rica. E é hora de ocupá-la com orgulho, respeito e consciência.
Por isso, seguimos firmes no nosso propósito:
Connecting Cultures, Creating Memories.
(Conectando Culturas, Criando Memórias.)
Turismo como instrumento de memória e futuro
Mais do que uma atividade econômica, o turismo afrocentrado é um caminho de reconexão com a história, com a identidade e com as lutas do povo negro. Ao visitar locais como o Cais do Valongo no Rio de Janeiro, os largos e terreiros de Salvador, ou comunidades quilombolas no interior do país, os visitantes têm a chance de conhecer outra narrativa. Uma que fala de dor, mas também de orgulho, resistência, espiritualidade e criação coletiva.
Os guias entrevistados mostram que o afroturismo é, ao mesmo tempo, denúncia e celebração. É educação, é pertencimento, é a possibilidade de existir com dignidade em espaços que antes negavam ou inviabilizavam a presença negra.
Quer viver essa experiência?
Acesse agora a plataforma diaspora.black
e explore os roteiros guiados por profissionais negros em todo o Brasil. Cada passeio é um convite à escuta, ao aprendizado e à valorização de nossas raízes.
Se você não encontrou o roteiro que procura, entre em contato com a gente. Podemos indicar experiências personalizadas ou criar novas rotas junto aos nossos parceiros locais.
Venha conhecer o Brasil a partir da nossa história. Com orgulho, com memória e afeto.

Na Feira Preta Festival Celebra Viva Pequena África, a Diaspora.Black , em parceria com o BNDES, promoveu dois roteiros novos pela Pequena África: Instituto Pretos Novos e Casarão Cultural João de Alabá. A Pequena África é um reconhecimento do legado africano e afrodescendente na formação do Rio de Janeiro. Quem caminha por esse território encontra múltiplas camadas de memória que podem ser vividas de formas completamente diferentes e, durante o festival, conduzimos os participantes por dois desses caminhos: o da história e da arqueologia, com o Instituto Pretos Novos , e o da espiritualidade e da tradição religiosa, com o Casarão Cultural João de Alabá .

A Diaspora.Black esteve no Web Summit Rio 2026, dentro da Startup Island do estande brasileiro, a convite da EmbraturLAB em parceria com o Itaipu Parquetec. A iniciativa reuniu 24 startups selecionadas para apresentar soluções em inteligência artificial, turismo inteligente, sustentabilidade e economia criativa, reforçando o posicionamento do Brasil como um polo de inovação aplicada ao turismo. Nossa participação marcou a presença de uma startup com dez anos de atuação, com soluções estruturadas para empresas que querem incorporar o afroturismo à sua oferta de valor.

Todo mês de agosto, Cachoeira desacelera. Quem chega à cidade nesse período entende o motivo. A cidade do Recôncavo Baiano, com seus casarões coloniais e ladeiras de pedra, se torna cenário de uma das celebrações mais importantes da cultura afro-brasileira. A Festa da Boa Morte não cabe em nenhuma categoria comum de viagem corporativa. Ela convida a participar de uma história construída e preservada por mulheres negras há mais de dois séculos.

O Brasil acaba de ganhar mais um reconhecimento no cenário global do afroturismo. Nosso cofundador e diretor de operações, Antonio Pita, foi reconhecido pela organização Most Influential People of African Descent (MIPAD) como uma das 100 pessoas negras mais influentes do mundo em viagens, turismo e hotelaria em 2026. Há mais de dez anos, Antonio atua conectando turismo, cultura negra, diáspora africana e desenvolvimento de territórios. Seu trabalho passa pela formação de profissionais, criação de experiências e apoio a empreendedores, além da construção de diálogo com destinos e instituições. Esse percurso ajudou a ampliar a discussão sobre afroturismo no Brasil e a abrir espaço para novas perspectivas dentro do setor. Nesta entrevista, Antonio fala sobre o significado desse reconhecimento internacional, os caminhos percorridos até aqui e os desafios para fortalecer a conexão do Brasil com os territórios e experiências da diáspora africana. DIASPORA.BLACK: Antonio, o que significa para você estar entre as 100 pessoas negras mais influentes do mundo em viagens, turismo e hotelaria em 2026? ANTONIO PITA: " Fico muito feliz. É um reconhecimento importante, mas que não diz respeito a uma pessoa só. Ele reflete uma construção de mais de 10 anos para estabelecer e demarcar esse segmento no Brasil. Não por acaso, ainda há poucas pessoas brasileiras nessa lista. Até pouco tempo, a conexão entre turismo preto e diáspora africana era praticamente ignorada pelo mercado brasileiro, ou vista sem essa dimensão de mercado e potência internacional. Esse é um trabalho construído pela Diaspora.Black, por mim e por muitas organizações e pessoas que vêm abrindo caminho coletivamente. Lá atrás, o que a gente esperava era justamente isso: criar essa abertura para o mercado internacional e fazer com que o Brasil também fosse reconhecido nesse lugar." DIASPORA.BLACK: O que foi fundamental para chegar aqui? ANTONIO PITA: "Acho que foi fundamental construir um histórico de entregas em diferentes frentes. Desde o começo, a gente provocou a indústria do turismo a olhar para a falta de diversidade, promovendo treinamentos, certificações e trazendo conhecimento para qualificar a hospitalidade. Depois, passamos a olhar também para os destinos, entendendo como eles incorporam os atrativos do afroturismo e as experiências da cultura negra em suas estratégias de promoção e desenvolvimento. Isso fortalece a articulação que a gente vem construindo para o segmento como um todo. Mas talvez o mais importante seja o trabalho com os empreendedores. Conhecer as experiências, os roteiros e os produtos criados por cada um, entender como podem evoluir, ganhar escala e despertar mais interesse tanto dos visitantes quanto dos próprios moradores das cidades. É isso que fazemos com o Laboratório Criativo de Roteiros: articular essa rede de empreendedores e operadores para atuar no afroturismo. Existe um diálogo constante com o poder público, com o mercado, com as agências e com os territórios, sempre buscando entender quais experiências podem ser conectadas nessa cadeia para fortalecer o ecossistema como um todo." DIASPORA.BLACK: A curadoria de grupos internacionais, como o trabalho que fazemos com fundações e outras organizações, teve influência nesse reconhecimento? ANTONIO PITA: "Com certeza. Esse reconhecimento dialoga muito com esse trabalho de curadoria que a gente vem desenvolvendo: construir experiências culturais, roteiros e conexões com os territórios, além da forma como recebemos esses visitantes com qualidade e com impacto real para quem está nos territórios. É esse olhar que levamos para parceiros, organizações e fundações, no sentido de fazer uma mediação cultural. Receber esses grupos passa por entender o que eles desejam conhecer e construir experiências em diálogo com os territórios e com respeito às dinâmicas locais. Essa atuação também fortalece nosso entendimento sobre o que o público estrangeiro e o público da diáspora buscam vivenciar no Brasil. E acho que é justamente essa capacidade de conectar experiência, cultura e território de forma responsável que esse prêmio também reconhece." DIASPORA.BLACK: Que mensagem essa lista deixa para o trade de turismo brasileiro? ANTONIO PITA: "Acho que essa lista também mostra que existem muitos outros nomes importantes do afroturismo brasileiro que poderiam estar nesse reconhecimento. Fiquei ainda mais feliz por esse reconhecimento também destacar o trabalho de pessoas fundamentais para o ecossistema, como Bia Moremi, da Brafrika Viagens, além de Anita Moreau e Martinique Lewis. É uma evidência de que ainda existe um espaço enorme para fortalecer a relação do Brasil com os outros países da diáspora africana e também para o próprio mercado brasileiro olhar para o afroturismo com mais proximidade, mais respeito e entendimento do potencial que esse segmento tem."

Em abril, a série “Raízes que Guiam: Como a Ancestralidade Transforma o Turismo” começou com uma pergunta: o que a hospitalidade ancestral africana ensina sobre a forma como recebemos as pessoas hoje? A matéria mostrou que muita coisa tratada como inovação no turismo já existia há séculos em comunidades africanas. Agora, o segundo encontro da série olha para outro elemento central dessa herança: a oralidade. O que muda quando uma história é contada por alguém que faz parte daquele território? Alguém que cresceu ouvindo aquelas memórias, reconhece os símbolos e entende os silêncios? Essa resposta começa com os griôs.

O que vivemos entre os dias 20 e 25 de março de 2026 foi uma jornada de reconexão e valorização de histórias e identidades. A Diaspora.Black desenvolveu e operou uma série de experiências culturais afro-brasileiras para viajantes internacionais em passagem pelo Brasil a bordo de um cruzeiro. Nesse intercâmbio entre as diásporas do Brasil e dos Estados Unidos, conduzimos 297 viajantes por percursos que revelam as narrativas negras que estruturam a história e a cultura dos nossos territórios.





