Diaspora.Black promove vivência corporativa sobre memória, racismo e descolonização com Ford Global Fellowship
September 30, 2023
Programa internacional participa de ação criadas pela startup brasileira que busca visitar locais históricos no Rio de Janeiro em prol da diversidade
A Diaspora.Black, startup líder em promover conhecimento sobre lugares, pessoas e histórias da cultura negra, encerrou, no mês de setembro, de 25 a 29, a última fase do programa Ford Global Fellowship, que inclui oficinas de liderança, discussões em grupo, mentoria e oportunidades para que os participantes se conectem e colaborem na mobilização de suas comunidades, no Rio de Janeiro. A turma, que teve início em 2021 com 75 lideranças sociais de todo o mundo atuantes no combate à desigualdade estrutural, hoje chega a 100 pessoas, visitando locais como Imperatriz, Pedra do Sal, Cemitério Pretos Novos, Complexo da Maré, Jardim Suspenso do Valongo, Largo do Depósito, entre outros destinos.
"Nosso foco com a solução de vivências corporativas visa integrar equipes e valorizar, entre os profissionais, a cultura e a história afro-brasileira, oferecendo aprendizados inspiradores sobre coletividade, resistência, resiliência e legados. Foi isso que fizemos durante esse ano de imersão com o programa Ford Global Fellowship. Nossa atuação busca catalisar uma discussão e dar visibilidade a uma história presente, mas pouco abordada, apesar de vivenciada. Incentivamos a conscientização para que as empresas adotem novos padrões de atendimento, tendo a diversidade como foco central a partir deste momento", explica Carlos Humberto, CEO da Diáspora Black.
O roteiro dos participantes do programa Ford Global Fellowship foi elaborado e é gerenciado pela equipe da Diáspora Black, contendo quatro pontos principais que abordam questões sobre memória, racismo, descolonização, libertação e reflexão e integração.
No primeiro dia, relacionado ao tema "memória", buscou-se respostas para perguntas como: De quem é a memória apagada pelas pessoas no poder? O que significa redescobrir o que esteve oculto nas histórias daqueles cujas narrativas foram apagadas? Como as memórias recuperadas nos permitem construir espaços de libertação e imaginação?
"O foco do nosso segundo dia é o racismo. Nele, vamos responder e desmistificar questões como como o racismo dirigido aos corpos indígenas e negros se manifesta no contexto do Rio de Janeiro e como ele cria experiências contemporâneas tanto para os indígenas quanto para os negros no Brasil", comenta Antonio Pita, cofundador e COO da Diáspora Black.
A quarta-feira (27) se concentrou na descolonização e libertação, abordando questões sobre como indígenas e negros estão imaginando e construindo espaços para a libertação agora e como líderes estão reimaginando, recuperando e inventando possibilidades para a nossa dignidade coletiva.
Os dois últimos dias de imersão buscaram analisar o que foi discutido anteriormente, refletindo sobre Nova York, Joanesburgo
e Rio de Janeiro. O objetivo é avaliar o que foi aprendido sobre como eliminar a desigualdade baseada em experiências locais. Quais foram as ideias iniciais sobre essa irmandade? O que os líderes estão fazendo de forma diferente? "Para concluir, queremos promover a discussão dentro do programa sobre como queremos celebrar e aprimorar nossa prática dentro da Ford Global Fellowship", conclui Carlos Humberto, cofundador e CEO da Diáspora Black.
Sobre a Diáspora Black
Fundada em 2017, a Diáspora Black, é uma startup líder de mercado em promover conhecimento sobre lugares, pessoas e histórias da cultura negra a nível global. Com um compromisso em oferecer soluções corporativas e o afro-turismo, a Diáspora Black já impulsionou a conscientização, a diversidade e a inclusão em diversas empresas, impactando milhares de pessoas e está presente em mais de 141 cidades e 475 destinos.

Na Feira Preta Festival Celebra Viva Pequena África, a Diaspora.Black , em parceria com o BNDES, promoveu dois roteiros novos pela Pequena África: Instituto Pretos Novos e Casarão Cultural João de Alabá. A Pequena África é um reconhecimento do legado africano e afrodescendente na formação do Rio de Janeiro. Quem caminha por esse território encontra múltiplas camadas de memória que podem ser vividas de formas completamente diferentes e, durante o festival, conduzimos os participantes por dois desses caminhos: o da história e da arqueologia, com o Instituto Pretos Novos , e o da espiritualidade e da tradição religiosa, com o Casarão Cultural João de Alabá .

A Diaspora.Black esteve no Web Summit Rio 2026, dentro da Startup Island do estande brasileiro, a convite da EmbraturLAB em parceria com o Itaipu Parquetec. A iniciativa reuniu 24 startups selecionadas para apresentar soluções em inteligência artificial, turismo inteligente, sustentabilidade e economia criativa, reforçando o posicionamento do Brasil como um polo de inovação aplicada ao turismo. Nossa participação marcou a presença de uma startup com dez anos de atuação, com soluções estruturadas para empresas que querem incorporar o afroturismo à sua oferta de valor.

Todo mês de agosto, Cachoeira desacelera. Quem chega à cidade nesse período entende o motivo. A cidade do Recôncavo Baiano, com seus casarões coloniais e ladeiras de pedra, se torna cenário de uma das celebrações mais importantes da cultura afro-brasileira. A Festa da Boa Morte não cabe em nenhuma categoria comum de viagem corporativa. Ela convida a participar de uma história construída e preservada por mulheres negras há mais de dois séculos.

O Brasil acaba de ganhar mais um reconhecimento no cenário global do afroturismo. Nosso cofundador e diretor de operações, Antonio Pita, foi reconhecido pela organização Most Influential People of African Descent (MIPAD) como uma das 100 pessoas negras mais influentes do mundo em viagens, turismo e hotelaria em 2026. Há mais de dez anos, Antonio atua conectando turismo, cultura negra, diáspora africana e desenvolvimento de territórios. Seu trabalho passa pela formação de profissionais, criação de experiências e apoio a empreendedores, além da construção de diálogo com destinos e instituições. Esse percurso ajudou a ampliar a discussão sobre afroturismo no Brasil e a abrir espaço para novas perspectivas dentro do setor. Nesta entrevista, Antonio fala sobre o significado desse reconhecimento internacional, os caminhos percorridos até aqui e os desafios para fortalecer a conexão do Brasil com os territórios e experiências da diáspora africana. DIASPORA.BLACK: Antonio, o que significa para você estar entre as 100 pessoas negras mais influentes do mundo em viagens, turismo e hotelaria em 2026? ANTONIO PITA: " Fico muito feliz. É um reconhecimento importante, mas que não diz respeito a uma pessoa só. Ele reflete uma construção de mais de 10 anos para estabelecer e demarcar esse segmento no Brasil. Não por acaso, ainda há poucas pessoas brasileiras nessa lista. Até pouco tempo, a conexão entre turismo preto e diáspora africana era praticamente ignorada pelo mercado brasileiro, ou vista sem essa dimensão de mercado e potência internacional. Esse é um trabalho construído pela Diaspora.Black, por mim e por muitas organizações e pessoas que vêm abrindo caminho coletivamente. Lá atrás, o que a gente esperava era justamente isso: criar essa abertura para o mercado internacional e fazer com que o Brasil também fosse reconhecido nesse lugar." DIASPORA.BLACK: O que foi fundamental para chegar aqui? ANTONIO PITA: "Acho que foi fundamental construir um histórico de entregas em diferentes frentes. Desde o começo, a gente provocou a indústria do turismo a olhar para a falta de diversidade, promovendo treinamentos, certificações e trazendo conhecimento para qualificar a hospitalidade. Depois, passamos a olhar também para os destinos, entendendo como eles incorporam os atrativos do afroturismo e as experiências da cultura negra em suas estratégias de promoção e desenvolvimento. Isso fortalece a articulação que a gente vem construindo para o segmento como um todo. Mas talvez o mais importante seja o trabalho com os empreendedores. Conhecer as experiências, os roteiros e os produtos criados por cada um, entender como podem evoluir, ganhar escala e despertar mais interesse tanto dos visitantes quanto dos próprios moradores das cidades. É isso que fazemos com o Laboratório Criativo de Roteiros: articular essa rede de empreendedores e operadores para atuar no afroturismo. Existe um diálogo constante com o poder público, com o mercado, com as agências e com os territórios, sempre buscando entender quais experiências podem ser conectadas nessa cadeia para fortalecer o ecossistema como um todo." DIASPORA.BLACK: A curadoria de grupos internacionais, como o trabalho que fazemos com fundações e outras organizações, teve influência nesse reconhecimento? ANTONIO PITA: "Com certeza. Esse reconhecimento dialoga muito com esse trabalho de curadoria que a gente vem desenvolvendo: construir experiências culturais, roteiros e conexões com os territórios, além da forma como recebemos esses visitantes com qualidade e com impacto real para quem está nos territórios. É esse olhar que levamos para parceiros, organizações e fundações, no sentido de fazer uma mediação cultural. Receber esses grupos passa por entender o que eles desejam conhecer e construir experiências em diálogo com os territórios e com respeito às dinâmicas locais. Essa atuação também fortalece nosso entendimento sobre o que o público estrangeiro e o público da diáspora buscam vivenciar no Brasil. E acho que é justamente essa capacidade de conectar experiência, cultura e território de forma responsável que esse prêmio também reconhece." DIASPORA.BLACK: Que mensagem essa lista deixa para o trade de turismo brasileiro? ANTONIO PITA: "Acho que essa lista também mostra que existem muitos outros nomes importantes do afroturismo brasileiro que poderiam estar nesse reconhecimento. Fiquei ainda mais feliz por esse reconhecimento também destacar o trabalho de pessoas fundamentais para o ecossistema, como Bia Moremi, da Brafrika Viagens, além de Anita Moreau e Martinique Lewis. É uma evidência de que ainda existe um espaço enorme para fortalecer a relação do Brasil com os outros países da diáspora africana e também para o próprio mercado brasileiro olhar para o afroturismo com mais proximidade, mais respeito e entendimento do potencial que esse segmento tem."

Em abril, a série “Raízes que Guiam: Como a Ancestralidade Transforma o Turismo” começou com uma pergunta: o que a hospitalidade ancestral africana ensina sobre a forma como recebemos as pessoas hoje? A matéria mostrou que muita coisa tratada como inovação no turismo já existia há séculos em comunidades africanas. Agora, o segundo encontro da série olha para outro elemento central dessa herança: a oralidade. O que muda quando uma história é contada por alguém que faz parte daquele território? Alguém que cresceu ouvindo aquelas memórias, reconhece os símbolos e entende os silêncios? Essa resposta começa com os griôs.

O que vivemos entre os dias 20 e 25 de março de 2026 foi uma jornada de reconexão e valorização de histórias e identidades. A Diaspora.Black desenvolveu e operou uma série de experiências culturais afro-brasileiras para viajantes internacionais em passagem pelo Brasil a bordo de um cruzeiro. Nesse intercâmbio entre as diásporas do Brasil e dos Estados Unidos, conduzimos 297 viajantes por percursos que revelam as narrativas negras que estruturam a história e a cultura dos nossos territórios.





