O turismo de luxo está mudando. Sua agência está preparada?
Jaqueline Santos • December 12, 2025
O ABAV MeetingSP, evento exclusivo para proprietários de agências associadas da Abav-SP e Aviesp, contou com um painel dedicado às viagens de alto padrão, que evidenciou o conceito de luxo, afastando-se dos símbolos tradicionais, como hotéis cinco estrelas ou serviços padronizados. O foco será experiências verdadeiramente únicas, personalizadas e culturalmente significativas. Essa evolução coloca o agente de viagens no centro da criação de valor, como curador de vivências que conectam viajantes às histórias e realidades dos destinos.
Dados reforçam que esse movimento não é apenas uma tendência pontual, mas uma transformação global do mercado.
O mercado global de viagens de luxo movimentou cerca de US$ 1,48 trilhão em 2024 e deve alcançar US$ 2,36 trilhões até 2030, crescendo mais de 8% ao ano. A demanda por personalização, autenticidade, bem-estar, sustentabilidade e experiências culturais profundas segue em alta. O luxo está cada vez menos sobre ostentação e cada vez mais sobre transformação.
No Brasil e na América Latina, a atenção ao segmento tem aumentado: o Anuário ILTM & PANROTAS Annual Luxury Travel Report 2026, lançado durante a ILTM Cannes, apresenta um panorama aprofundado do setor, com análises econômicas, tendências e a confirmação de que o mercado latino-americano continua em expansão e com grande potencial.
O que isso tem a ver com a Diaspora.Black? Tudo.
Há quase uma década, a Diaspora.Black se dedica justamente ao tipo de experiência que o novo luxo busca: vivências culturais profundas, narrativas com significado, encontros reais com histórias e territórios, e um cuidado extremo com curadoria humana e impacto social positivo.
Somos especialistas em experiências afrocentradas, condução responsável, imersão cultural e turismo que transforma — pilares que hoje são exatamente aquilo que o segmento de luxo procura entregar aos seus viajantes mais exigentes.
Conheça dois exemplos de experiência que entregamos:
1. Tradição e Beleza Natural Amazônicas – Ilha de Cotijuba (PA)
Uma vivência que combina natureza exuberante, patrimônio cultural e impacto social real. Organizada por mulheres anfitriãs da ilha, essa experiência apresenta projetos comunitários ligados à produção de cosméticos naturais, biojoias, papel artesanal e Turismo de Base Comunitária. O viajante vivencia gastronomia amazônica, oficinas artesanais, trilhas ecológicas, experiências culturais como o Carimbó Raiz e momentos de contemplação em praias de águas tranquilas. Luxo aqui é conexão, autenticidade e pertencimento.
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2. Tour Pequena África – Rio de Janeiro (RJ)
Uma jornada pela história viva da formação negra do Brasil. O roteiro percorre lugares de memória fundamentais, como o Cais do Valongo, Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, e o Quilombo da Pedra do Sal, berço do samba e símbolo de resistência cultural. É uma experiência guiada por especialistas em história afro-brasileira que oferece profundidade, significado e uma compreensão transformadora da cidade. Luxo aqui é conhecimento, ancestralidade e acesso a narrativas que não se encontram nos roteiros tradicionais.
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Por isso, a pergunta é simples: se o mercado está caminhando para um luxo mais humano, autêntico e conectado, por que apostar apenas em modelos tradicionais? Sua agência pode se preparar para o futuro fazendo parceria com quem trabalha esse tipo de experiência há anos no Brasil e no mundo.
O próximo passo do turismo de luxo passa pela cultura, pela diversidade e pelas histórias que não cabem em fotos. E a Diaspora.Black está pronta para construir isso com você.
Fonte: Panrotas, Hotel Agio, MS Square Consultancy

Na Feira Preta Festival Celebra Viva Pequena África, a Diaspora.Black , em parceria com o BNDES, promoveu dois roteiros novos pela Pequena África: Instituto Pretos Novos e Casarão Cultural João de Alabá. A Pequena África é um reconhecimento do legado africano e afrodescendente na formação do Rio de Janeiro. Quem caminha por esse território encontra múltiplas camadas de memória que podem ser vividas de formas completamente diferentes e, durante o festival, conduzimos os participantes por dois desses caminhos: o da história e da arqueologia, com o Instituto Pretos Novos , e o da espiritualidade e da tradição religiosa, com o Casarão Cultural João de Alabá .

A Diaspora.Black esteve no Web Summit Rio 2026, dentro da Startup Island do estande brasileiro, a convite da EmbraturLAB em parceria com o Itaipu Parquetec. A iniciativa reuniu 24 startups selecionadas para apresentar soluções em inteligência artificial, turismo inteligente, sustentabilidade e economia criativa, reforçando o posicionamento do Brasil como um polo de inovação aplicada ao turismo. Nossa participação marcou a presença de uma startup com dez anos de atuação, com soluções estruturadas para empresas que querem incorporar o afroturismo à sua oferta de valor.

Todo mês de agosto, Cachoeira desacelera. Quem chega à cidade nesse período entende o motivo. A cidade do Recôncavo Baiano, com seus casarões coloniais e ladeiras de pedra, se torna cenário de uma das celebrações mais importantes da cultura afro-brasileira. A Festa da Boa Morte não cabe em nenhuma categoria comum de viagem corporativa. Ela convida a participar de uma história construída e preservada por mulheres negras há mais de dois séculos.

O Brasil acaba de ganhar mais um reconhecimento no cenário global do afroturismo. Nosso cofundador e diretor de operações, Antonio Pita, foi reconhecido pela organização Most Influential People of African Descent (MIPAD) como uma das 100 pessoas negras mais influentes do mundo em viagens, turismo e hotelaria em 2026. Há mais de dez anos, Antonio atua conectando turismo, cultura negra, diáspora africana e desenvolvimento de territórios. Seu trabalho passa pela formação de profissionais, criação de experiências e apoio a empreendedores, além da construção de diálogo com destinos e instituições. Esse percurso ajudou a ampliar a discussão sobre afroturismo no Brasil e a abrir espaço para novas perspectivas dentro do setor. Nesta entrevista, Antonio fala sobre o significado desse reconhecimento internacional, os caminhos percorridos até aqui e os desafios para fortalecer a conexão do Brasil com os territórios e experiências da diáspora africana. DIASPORA.BLACK: Antonio, o que significa para você estar entre as 100 pessoas negras mais influentes do mundo em viagens, turismo e hotelaria em 2026? ANTONIO PITA: " Fico muito feliz. É um reconhecimento importante, mas que não diz respeito a uma pessoa só. Ele reflete uma construção de mais de 10 anos para estabelecer e demarcar esse segmento no Brasil. Não por acaso, ainda há poucas pessoas brasileiras nessa lista. Até pouco tempo, a conexão entre turismo preto e diáspora africana era praticamente ignorada pelo mercado brasileiro, ou vista sem essa dimensão de mercado e potência internacional. Esse é um trabalho construído pela Diaspora.Black, por mim e por muitas organizações e pessoas que vêm abrindo caminho coletivamente. Lá atrás, o que a gente esperava era justamente isso: criar essa abertura para o mercado internacional e fazer com que o Brasil também fosse reconhecido nesse lugar." DIASPORA.BLACK: O que foi fundamental para chegar aqui? ANTONIO PITA: "Acho que foi fundamental construir um histórico de entregas em diferentes frentes. Desde o começo, a gente provocou a indústria do turismo a olhar para a falta de diversidade, promovendo treinamentos, certificações e trazendo conhecimento para qualificar a hospitalidade. Depois, passamos a olhar também para os destinos, entendendo como eles incorporam os atrativos do afroturismo e as experiências da cultura negra em suas estratégias de promoção e desenvolvimento. Isso fortalece a articulação que a gente vem construindo para o segmento como um todo. Mas talvez o mais importante seja o trabalho com os empreendedores. Conhecer as experiências, os roteiros e os produtos criados por cada um, entender como podem evoluir, ganhar escala e despertar mais interesse tanto dos visitantes quanto dos próprios moradores das cidades. É isso que fazemos com o Laboratório Criativo de Roteiros: articular essa rede de empreendedores e operadores para atuar no afroturismo. Existe um diálogo constante com o poder público, com o mercado, com as agências e com os territórios, sempre buscando entender quais experiências podem ser conectadas nessa cadeia para fortalecer o ecossistema como um todo." DIASPORA.BLACK: A curadoria de grupos internacionais, como o trabalho que fazemos com fundações e outras organizações, teve influência nesse reconhecimento? ANTONIO PITA: "Com certeza. Esse reconhecimento dialoga muito com esse trabalho de curadoria que a gente vem desenvolvendo: construir experiências culturais, roteiros e conexões com os territórios, além da forma como recebemos esses visitantes com qualidade e com impacto real para quem está nos territórios. É esse olhar que levamos para parceiros, organizações e fundações, no sentido de fazer uma mediação cultural. Receber esses grupos passa por entender o que eles desejam conhecer e construir experiências em diálogo com os territórios e com respeito às dinâmicas locais. Essa atuação também fortalece nosso entendimento sobre o que o público estrangeiro e o público da diáspora buscam vivenciar no Brasil. E acho que é justamente essa capacidade de conectar experiência, cultura e território de forma responsável que esse prêmio também reconhece." DIASPORA.BLACK: Que mensagem essa lista deixa para o trade de turismo brasileiro? ANTONIO PITA: "Acho que essa lista também mostra que existem muitos outros nomes importantes do afroturismo brasileiro que poderiam estar nesse reconhecimento. Fiquei ainda mais feliz por esse reconhecimento também destacar o trabalho de pessoas fundamentais para o ecossistema, como Bia Moremi, da Brafrika Viagens, além de Anita Moreau e Martinique Lewis. É uma evidência de que ainda existe um espaço enorme para fortalecer a relação do Brasil com os outros países da diáspora africana e também para o próprio mercado brasileiro olhar para o afroturismo com mais proximidade, mais respeito e entendimento do potencial que esse segmento tem."

Em abril, a série “Raízes que Guiam: Como a Ancestralidade Transforma o Turismo” começou com uma pergunta: o que a hospitalidade ancestral africana ensina sobre a forma como recebemos as pessoas hoje? A matéria mostrou que muita coisa tratada como inovação no turismo já existia há séculos em comunidades africanas. Agora, o segundo encontro da série olha para outro elemento central dessa herança: a oralidade. O que muda quando uma história é contada por alguém que faz parte daquele território? Alguém que cresceu ouvindo aquelas memórias, reconhece os símbolos e entende os silêncios? Essa resposta começa com os griôs.

O que vivemos entre os dias 20 e 25 de março de 2026 foi uma jornada de reconexão e valorização de histórias e identidades. A Diaspora.Black desenvolveu e operou uma série de experiências culturais afro-brasileiras para viajantes internacionais em passagem pelo Brasil a bordo de um cruzeiro. Nesse intercâmbio entre as diásporas do Brasil e dos Estados Unidos, conduzimos 297 viajantes por percursos que revelam as narrativas negras que estruturam a história e a cultura dos nossos territórios.





