Quando o território vira sala de aula

Jaqueline Santos • July 28, 2026

Há conteúdos que podem ser apresentados em sala de aula e outros só ganham sentido quando são vividos. Caminhar pela Pequena África, conhecer o Cais do Valongo e ouvir as histórias contadas na Pedra do Sal transforma a forma como muitos estudantes compreendem a história do Brasil.


No Colégio Ágora, que segue a pedagogia Montessori, vivências como essa fazem parte da proposta pedagógica. A visita foi conduzida por

Teti Coube, coordenadora de Arte e Cultura, que levou os estudantes a um território marcado pela memória e pela resistência.


A Diaspora.Black conversou com Teti sobre como a educação antirracista integra o projeto pedagógico da escola, o lugar da oralidade na formação dos alunos e os impactos que a experiência na Pequena África trouxe para a turma.

DIASPORA.BLACK: Como a educação antirracista é trabalhada no Colégio Ágora?


TETI COUBE: A educação antirracista não aparece apenas em um projeto específico, mas atravessa todas as áreas do currículo. Na escola Montessori, Colégio Ágora, buscamos formar estudantes capazes de compreender a diversidade humana, reconhecer diferentes narrativas históricas e desenvolver respeito, empatia e senso de justiça em todas as experiências de aprendizagem.


DIASPORA.BLACK: Na sua opinião, por que a oralidade é uma forma tão potente de transmitir história e ancestralidade, algo que um livro sozinho não dá conta?


TETI COUBE: A oralidade aproxima os estudantes da memória viva, das emoções e das experiências de quem preserva essas histórias. Consideramos que uma formação integral acontece também pela mediação da palavra falada, que fortalece vínculos, amplia repertórios e contribui para a construção da identidade e da compreensão da cultura de um povo de uma forma que o livro, sozinho, não alcança.


DIASPORA.BLACK: Como surgiu a ideia de levar os alunos do Colégio Ágora à Pequena África e como a visita em territórios de memória se encaixa na estratégia pedagógica do Colégio Ágora?


TETI COUBE:  A proposta busca aproximar os estudantes de um território fundamental para compreender a História do Brasil. Em uma perspectiva Montessori, a aula de campo dialoga com a Educação Cósmica e a Cultura de Paz ao favorecer o conhecimento de mundo, a compreensão das relações humanas e o respeito às diferentes culturas. Estar em um espaço de memória, acompanhado por guias preparados, amplia a visão e transforma conceitos teóricos estudados em experiências concretas e significativas.


DIASPORA.BLACK: Teve algum momento da vivência que ficou marcado, alguma reação dos alunos ou alguma história que ganhou outro peso sendo contada ali, no território?


TETI COUBE: O momento mais marcante foi perceber como o território atribuiu novos significados às leituras e aos conteúdos trabalhados em sala. Histórias presentes nas obras de Conceição Evaristo, trabalho desenvolvido pela Rosane Rabello, professora de Formação do Leitor Escritor, e em outras referências deixaram de ser apenas narrativas para ganhar concretude diante dos estudantes. A experiência tornou visíveis conceitos que antes eram abstratos, fortalecendo a compreensão histórica, cultural e humana de temas presentes em diferentes disciplinas.



Sobre Teti Coube

Teti Coube é coordenadora de Arte e Cultura do Colégio Ágora e professora, com trinta anos de estrada, elaborando e coordenando uma equipe de professores voltados às atividades das áreas de Música, Teatro, Artes Visuais e Formação de Leitor. 


No Colégio Ágora elaborou e realizou vários projetos que, partindo da cultura e arte, dialogam com diferentes áreas do conhecimento e privilegiam várias disciplinas.

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